A história do vigia noturno poliglota

Mais um motivo para aprender uma nova língua

Todos os dias ele se levanta às cinco da manhã, como qualquer outro colombiano, a caminho do centro de Medellín, onde trabalha como vigilante desde novembro de 2016.  

No entanto, Edilson Arcía Vargas de 37 anos,  não é um trabalhador comum. Muito menos um guarda de vigilância que se vê facilmente por aí. Ele é a primeira pessoa registrada na Superintendência de Vigilância e Segurança Privada da Colômbia, como vigilante bilíngue.

O mais surpreendente no seu caso, é que ele aprendeu a falar o inglês, por exemplo, de forma autodidata, com a ajuda de aplicativos dos smartphones.

A vida de Edílson não foi fácil.

Ele conta que desde criança, seu pai negou qualquer ajuda para estudar. Por isso, teve que pedir dinheiro a outras pessoas para que pudesse se matricular na escola. Depois de formado, conseguiu juntar uns trocados e se inscreveu no curso de guarda de segurança, emprego que desempenha desde 1998.

Sua inquietude por aprender não parou ali. Enquanto seus companheiros aproveitavam as horas noturnas para descansar, Edilson percebeu que podia dedicar esse tempo para algum tipo de atividade que lhe traria algum benefício educativo. Assim, começou a procurar por aplicativos gratuítos em seu smartphone a fim de aprender idiomas.

“Eu sempre fui ligado a idiomas. Um dia, conheci um morador lá da minha rua, que me deu de presente um livro de Inglês básico. Esse foi meu primeiro contato com a língua . Comecei então a usá-lo para aprender coisas básicas do idioma e em seguida, com a ajuda do aplicativos como o Duolingo, fui conseguindo aperfeiçoar meu inglês.”

Um dia ele se apresentou a uma entrevista em que exigiam como requisito que o vigilante fosse bilíngue.

“Era para conseguir o trabalho na empresa que estou atualmente. Fui enviado junto a mais quatro pessoas para um curso de inglês para que apresentássemos  provas de que falávamos o idioma.”

Lá, eles ficaram impressionados que o meu aprendizado se devia ao conhecimento empirico que tive e não por ter pagado por aulas”, afirma o orgulhoso senhor Edilson.

O reconhecimento

vigilante

Edilson, o vigilante colombiano que fala mais de 5 línguas.

Desde então, vários meio de comunicação locais e também do México, Perú, Equador, Brasil e Guatemala, publicaram sua história. Agora o guardinha é famoso no bairro onde mora.

Ele também ficou conhecido entre seus próprios companheiros de profissão, a quem ensina inglês em seus tempos livres.

“Aprender esta língua não é um luxo. É uma necessidade para este mundo globalizado como o de hoje”, afirma o vigilante que recebe pouco mais de R$1000 reais por mês.

Uma porta para o aprendizado

O inglês foi só o começo. Ao se dar conta que tinha facilidade para aprender idiomas, continuou seu processo de aprendizado. Se arrisca a estudar outros idiomas, também com a ajuda do Duolingo e de outras plataformas online.

Ele é capaz de manter conversas completas em português, se virar em italiano e alemão, além de ter começado agora a estudar japonês. Para Edilson, adquirir conhecimento em outras línguas virou um jogo que o permite se relacionar com outras culturas e pessoas do mundo.

“Cada dia que aprendo coisas novas é uma nova oportunidade de colaborar com um estrangeiro que necessite. Quem melhor que um guarda para os orientar, se somos nós quem sabemos o que acontece”.

Argumenta rindo e sem deixar de falar palavras em português, italiano, alemão e japonês.

Este rapaz colombiano mesmo sem ter recursos financeiros alcançou o que muitos não alcançam. Ele aprendeu e segue aprendendo idiomas de forma autodidata, demonstrando ao mundo que com ganas e perseverança se alcança qualquer sonho.

Em 2016, Edilson inaugurou seu próprio canal no Youtube chamado “Vigilantes bilingües”. Por lá compartilha seus conhecimentos e ajuda guardas como ele a aprender outras línguas.

Por fim, ele afirma que todos os dias, sem desculpas, ele se dedica no mínimo uma hora estudando idiomas. Porque como diz, “não me importa se durmo quatro horas por dia, desde que esteja fazendo algo que sou apaixonado”.


Adaptado de semana.com