Idade não é desculpa para deixar de aprender idiomas

Nunca é tarde para aprender outra língua. Surpreendentemente, em situações controladas, adultos acabam sendo melhores que crianças ao aprender novos idiomas.

Existe uma forte crença de que crianças com menos de 7 anos são boas em aprender línguas porque seus cérebros se conectam mais facilmente.

Desta forma, elas usam a chamada memória processual ou implícita para aprender – o que significa que vão adquirir novas linguagens sem muita dificuldade, sem muito esforço consciente. Acredita-se que adultos confiam na memória explícita, no esforço deliberado e consciente,  a partir de onde eles aprendem as regras de uma dada língua.

Mas agora, alguns linguistas questionam se essa aparente diferença na habilidade de aprender idiomas reflete nossas atitudes do dia a dia em relação a crianças e adultos ao invés de somente diferenças no cérebro. “ Se adultos erram, nós não os corrigimos porque não queremos insulta-los,” diz Sara Ferman da Universidade de Tel Aviv em Israel.

“Atitudes sociais ao invés de diferenças neurais talvez seja a razão das crianças ter melhores resultados”

Pensando nisso, Ferman e Avi Karni da Universidade de Haifa em Israel, fizeram um experimento em que juntaram crianças de 8 e 12 anos com adultos, pedindo a todos que descobrissem uma nova regra de linguagem, que foi criada só para o experimento. Na regra , os verbos são soletrados e pronunciados diferentemente, dependendo de estar se referindo a objetos animados (com vida) ou inanimados (sem vida).

“Os adultos foram muito melhores em tudo que medimos”, diz Ferman. Quando pedido para aplicar a regra para novas palavras, as crianças de 8 anos não foram bem, enquanto que as de 12 e os adultos acertaram mais que 90% do teste.

“Os adultos tem os melhores resultados e um grande potencial de aprender novos idiomas”, diz Ferman.

Diferentemente de crianças mais novas, a maioria dos adultos e crianças de 12 anos acharam a maneira como a regra funcionava e quando eles conseguiram, seus resultados melhoraram bastante. Isso mostra que o aprendizado explícito também é essencial.

Os resultados são animadores, diz David Birdsong da Universidade do Texas – principalmente a descoberta de que a pronúncia das crianças é inferior a dos adultos.

Contudo, Robert DeKeyser da Universidade de Maryland alerta que esses experimentos artificiais como esse não necessariamente podem ser transferidos para o mundo real.

Mesmo que adultos sejam melhores com o aprendizado, as chances continuam sendo maiores que crianças tenham mais oportunidades, por fatores sociais, de aprender implicitamente.

 

Fonte: New Scientist