Ser e estar. Uma diferença que não se resume a rótulos

Verbos ser e estar

A semântica é o campo da linguagem que estuda o significado das palavras e as suas possíveis interpretações de acordo com os contextos em que estão inseridos.

Contudo, o senso comum e o ideal social de rebanho são capazes de distorcer aspectos tão básicos como a semântica de uma língua.

Um exemplo que me causa um profundo incômodo é a metamorfose sofrida pelos verbos de ligação SER e ESTAR.

De forma sutil, em muitos casos, eles são usados como se possuíssem o mesmo significado enquanto, definitivamente, não possuem nem sequer a mesma ideia.

A nossa sociedade, de modo geral, tem um forte apreço pelo estado atual. Por mais que seja passageiro, o interesse sempre é no que você faz agora e não nos seus planos e sonhos.

O “estar” é um rótulo imposto e difícil de ser removido, exceto quando é trocado por outro.

É uma moldura que te enquadra e limita as infinitas possibilidades daquele “estado trampolim”.

O problema é que: nós nos acostumamos com essa inversão de valores. Permitimos que o passageiro seja propagado como o essencial. Aceitamos que o reflexo, assim como no mito da caverna de Platão, importe mais do que a cena originária do espetáculo gerado no fundo da caverna.

Quem você realmente é

A dificuldade está na aceitação de uma verdade libertadora: Você não é seu rótulo.

  • Você não é estagiário, você está estagiário.
  • Você não é universitário, você está universitário.    
  • Você não é a metamorfose, você está em metamorfose.

O que você realmente é está descrito nos seus sonhos, está na forma como você pensa, é como você vê o mundo a sua volta e assimila a infinidade de oportunidades que ele te oferece.

Você é: música; livro; verso; viagem; comida gostosa; erro; acerto; aprendizado; memória; esquecimento; tempo; crença; amigos; família; conversa; choro; sorriso; emoção; arrependimento; perdão; experiência; vida.

Esses fatores sim são muito mais relevantes.

Eles são muito maiores que o seu estado porque eles definem: Você.

Sua identidade não se resume a rótulos.

Pense diferente. Faça a diferença entre o ser e o estar.

Você não É preso à caverna. Você só ESTÁ preso à caverna.

 


Por André Ferreira

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